Por que o bebê respira alto? Sons comuns, causas e quando buscar ajuda

Bebê respira alto? Entenda sons e quando se preocupar

Poucas coisas assustam tanto quem acabou de ter um bebê quanto ouvir um barulho estranho vindo do berço às 2 da manhã. Um fungadinho, um rangido, uma respiração que parece alta demais para alguém tão pequeno. Se você já se perguntou «por que o bebê respira alto?» ou «por que o bebê faz barulho ao respirar?», saiba que essa dúvida é muito comum.

Bebês costumam respirar fazendo barulho. As vias aéreas são estreitas, o padrão respiratório ainda está amadurecendo e uma pequena quantidade de secreção já pode produzir sons impressionantes. Na maioria das vezes, esses sons do bebê não indicam problema. Ainda assim, alguns ruídos podem sinalizar dificuldade para respirar e exigem atendimento rápido. Saber reconhecer os sinais ajuda a trazer mais tranquilidade, sem ignorar aquela intuição de mãe, pai ou cuidador.

Por que os bebês fazem tantos sons estranhos ao respirar

Recém-nascidos e bebês pequenos não respiram como crianças maiores ou adultos. O sistema respiratório ainda está em desenvolvimento e o organismo passa por muitas adaptações nos primeiros meses de vida.

Algumas situações normais deixam a respiração ruidosa do bebê mais perceptível, irregular ou intensa:

  • Vias aéreas muito estreitas: Um pouco de secreção ressecada ou leite que voltou até a garganta pode fazer bastante barulho.
  • Narinas pequenas: Nos primeiros meses, o bebê respira predominantemente pelo nariz. Uma congestão leve pode causar fungadas, roncos e ruídos de nariz entupido.
  • Acúmulo de secreção: O bebê ainda não sabe assoar o nariz nem limpar a garganta com eficiência. Por isso, a secreção fica ali e pode ser ouvida.
  • Sistema respiratório imaturo: Bebês pequenos podem apresentar um ritmo respiratório irregular, sobretudo durante o sono.
  • Tecidos mais moles na via aérea: Alguns bebês têm uma condição frequente chamada laringomalácia, em que os tecidos acima das cordas vocais são mais flácidos e se movimentam durante a respiração.

O som, por si só, pode impressionar, mas o conjunto é mais importante. O bebê está corado, reage bem quando acordado, mama adequadamente e parece confortável entre uma respiração e outra? Esses são sinais tranquilizadores.

Sons normais do bebê que costumam preocupar os pais

Fungadas e ronco do bebê

O ronco do bebê e as fungadas são frequentes, especialmente na fase de recém-nascido. Como as narinas são muito pequenas, uma quantidade mínima de muco, o ar seco ou uma posição menos confortável pode deixar cada respiração mais barulhenta.

É comum perceber mais ruídos após a mamada, quando o bebê está deitado ou durante um resfriado. Às vezes, o nariz parece completamente congestionado, embora quase não saia secreção.

Soro fisiológico 0,9% próprio para uso nasal pode ajudar a fluidificar a secreção. Se for necessário, use um aspirador nasal com delicadeza e apenas de vez em quando. Aspirar demais pode irritar a mucosa e aumentar o inchaço.

Um ronco leve e ocasional geralmente não é motivo de preocupação. Vale comentar na consulta de rotina se o ronco é forte todas as noites, se há pausas na respiração ou se o bebê parece cansado e mama mal.

Respiração periódica em bebês

Um padrão que costuma assustar é a respiração periódica. As pausas na respiração do bebê podem durar até cerca de 10 segundos e ser seguidas por algumas respirações mais rápidas, antes de o ritmo voltar ao normal.

O padrão pode ser assim:

  1. Algumas respirações regulares
  2. Uma pausa breve, em geral inferior a 10 segundos
  3. Uma sequência curta de respirações mais rápidas
  4. Retorno ao ritmo habitual

Isso é particularmente comum em recém-nascidos e aparece bastante durante o sono. O cérebro ainda está aprendendo a regular a respiração de forma constante, e esse padrão tende a ficar menos evidente com o crescimento.

Em vez de contar os segundos em desespero, observe o bebê. Se a pausa é breve, ele continua rosado, relaxado e volta a respirar normalmente, costuma ser algo esperado. Uma pausa superior a 10 segundos, acompanhada de mudança de cor, moleza ou dificuldade para acordar, precisa de avaliação médica urgente.

Grunhidos do bebê dormindo

Alguns grunhidos do bebê dormindo são perfeitamente normais. O sono dos pequenos é barulhento: eles se mexem, fazem caretas, soltam gritinhos, esticam o corpo e emitem sons que podem até lembrar um cabritinho.

Às vezes, o grunhido está ligado à digestão. O recém-nascido pode fazer força para eliminar gases ou evacuar, mesmo que as fezes estejam macias. Isso, por si só, não significa prisão de ventre.

A palavra-chave é ocasional. Grunhir de vez em quando, especialmente dormindo ou na hora de evacuar, costuma ser inofensivo. Já grunhir a cada respiração é diferente e pode ser sinal de esforço respiratório. Falaremos disso mais adiante.

Soluço no bebê

O soluço no bebê é muito comum e quase sempre não representa nenhum problema. Ele acontece porque o diafragma, músculo localizado abaixo dos pulmões e importante para a respiração, ainda é imaturo e reage facilmente a estímulos.

Mamadas, engolir ar, chorar, ficar agitado ou encher demais o estômago podem desencadear os soluços. Alguns bebês soluçam todos os dias, enquanto outros parecem ter soluço depois de quase toda mamada durante algumas semanas.

O soluço não machuca o bebê e, em geral, não precisa de tratamento. Não use receitas caseiras, sustos ou tentativas de prender a respiração. Mantê-lo mais ereto após mamar, oferecer volumes menores com maior frequência e fazê-lo arrotar com calma podem reduzir os episódios. Muitas vezes, porém, o soluço simplesmente passa sozinho.

Respiração ruidosa que pode precisar de avaliação médica

Nem todo ruído é apenas uma característica dos primeiros meses. Se houver dúvida, grave um vídeo ou áudio curto para mostrar ao pediatra ou à equipe da Unidade Básica de Saúde. É muito comum o bebê parar de fazer justamente o som preocupante quando chega ao consultório.

Estridor: som agudo ao puxar o ar

O estridor é um ruído agudo, parecido com um chiado ou rangido, ouvido principalmente quando o bebê inspira. Pode ficar mais forte durante o choro, a mamada, quando está deitado de barriga para cima ou mais agitado.

Em muitos casos, o estridor está relacionado à laringomalácia em bebês. Nessa condição, os tecidos acima da laringe cedem um pouco durante a inspiração. O som pode assustar, mas os quadros leves costumam melhorar espontaneamente à medida que a via aérea ganha firmeza, geralmente entre os 12 e 18 meses de vida.

Possíveis sinais de laringomalácia incluem:

  • Respiração aguda, sobretudo quando o bebê chora ou se irrita
  • Respiração mais ruidosa quando está deitado
  • Barulhos durante a mamada
  • Golfadas ou sintomas parecidos com refluxo
  • Melhora do ruído quando o bebê está calmo ou em posição mais ereta

Embora muitas vezes seja uma condição sem gravidade, todo estridor persistente deve ser avaliado por um profissional de saúde. Casos mais importantes podem interferir na alimentação, no ganho de peso ou na oxigenação. Procure ajuda antes da consulta de rotina se o bebê engasga nas mamadas, não ganha peso, apresenta pausas respiratórias ou fica com os lábios arroxeados.

Chiado persistente

O chiado no peito do bebê, também chamado de sibilância no bebê, costuma ser um som musical ou assobiado, geralmente mais perceptível na expiração. É diferente daquele barulho de nariz entupido. A sibilância sugere que o ar está passando por vias aéreas inferiores mais estreitas.

A sibilância pode ocorrer em infecções virais, como a bronquiolite, bastante comum nos meses mais frios. Também pode aparecer quando os brônquios estão irritados ou estreitados por outras razões. Em bebês muito pequenos, qualquer chiado novo, persistente ou acompanhado de tosse deve ser avaliado por um profissional.

Um resfriado pode deixar a respiração barulhenta sem que exista um chiado verdadeiro. Você não precisa tentar identificar o som com precisão em casa. Observe principalmente o esforço: o bebê respira com tranquilidade ou parece fazer força a cada inspiração?

Tosse: quando é normal e quando merece atenção

Uma tosse no bebê ocasional é normal. O bebê tosse para limpar saliva, secreções ou um pouco de leite que desceu pelo caminho errado durante a mamada. Uma ou duas tossidas enquanto baba ou depois da mamadeira raramente são motivo para alarme.

Por outro lado, uma tosse bebê que se repete e persiste por mais de alguns dias merece contato com o pediatra, especialmente se for um bebê pequeno. Pode estar relacionada a uma infecção viral, refluxo, secreção escorrendo pela garganta ou algum problema respiratório que precisa ser investigado.

Preste atenção ao padrão. A tosse aparece principalmente durante as mamadas? Piora à noite? O bebê vomita depois de tossir, recusa o peito ou a mamadeira, ou fica mais sonolento que o habitual? Essas informações ajudam bastante na avaliação.

Tosse de cachorro

Uma tosse rouca e forte, parecida com latido de cachorro, pode ser sinal de crupe, também chamado de laringite viral. O problema costuma ser causado por vírus que provocam inchaço ao redor da laringe e da traqueia. Muitas vezes começa depois de coriza e, como tantos sintomas infantis, tende a piorar à noite.

Mantenha o ambiente calmo e o bebê em posição mais ereta, oferecendo conforto. Não faça inalação com vapor quente nem aproxime o bebê de panelas, chuveiros ou recipientes com água quente, pois há risco de queimaduras. Procure orientação médica se a tosse em latido vier acompanhada de ruído para respirar mesmo em repouso, piora do desconforto ou dificuldade para mamar.

Grunhido a cada respiração

Isso não é o mesmo que um grunhido isolado durante o sono. Grunhir em toda expiração pode significar que o bebê está tentando manter as vias aéreas abertas. É um possível sinal de dificuldade respiratória importante.

Se você ouvir esse tipo de grunhido persistente, enquanto o bebê está acordado ou dormindo, e ele ocorre a cada respiração, procure atendimento médico de urgência. Não espere para ver se melhora depois da próxima soneca.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento de emergência

Bebês podem piorar rapidamente, e problemas respiratórios não devem ser observados em casa sem orientação. Ligue para o SAMU, no número 192, ou vá imediatamente a um pronto-socorro se notar qualquer um destes sinais:

  • Mais de 60 respirações por minuto quando o bebê está calmo
  • Retrações, quando a pele afunda entre as costelas, abaixo delas ou na base do pescoço a cada respiração
  • Batimento de asa do nariz, com as narinas abrindo repetidamente ao respirar
  • Lábios ou língua azulados, acinzentados ou muito pálidos
  • Grunhido a cada respiração
  • O bebê não consegue mamar porque falta ar
  • Está molinho, excessivamente sonolento, difícil de acordar ou muito menos responsivo do que o habitual
  • Uma pausa respiratória dura mais de 10 segundos ou vem acompanhada de alteração de cor

Não se preocupe em parecer exagerado. Um bebê com possível dificuldade respiratória precisa ser avaliado logo. Se houver mudança de cor ou esforço evidente para respirar, aja primeiro e tire as dúvidas depois.

O que fazer em casa diante de uma respiração levemente ruidosa

Se o bebê está bem disposto, mamando e apresenta apenas uma congestão leve ou os ruídos comuns dos primeiros meses, algumas medidas simples podem melhorar o conforto:

  • Mantenha-o em posição mais ereta por alguns minutos depois das mamadas.
  • Use soro fisiológico no nariz entupido e faça aspiração suave somente quando necessário.
  • Ofereça mamadas menores e mais frequentes se ele estiver cansando durante uma mamada longa.
  • Deixe o quarto arejado, com temperatura agradável e sem fumaça de cigarro, vape, incenso ou outros irritantes.
  • Coloque sempre o bebê para dormir de barriga para cima, em colchão firme e plano.
  • Não use travesseiros, calços, rolinhos, posicionadores ou colchões inclinados, pois eles não são seguros para o sono do bebê.

Confie no que você observa. Um recém-nascido com respiração ruidosa, que mama, ganha peso, está corado e tranquilo, pode ser apenas um bebê barulhento. Já um bebê silencioso, mas respirando rápido, afundando as costelas ou recusando mamadas, precisa de atenção.

O que fica para os pais cansados

Bebês produzem uma variedade surpreendente de sons, de fungadas e guinchos a soluços e grunhidos durante o sono. Na maior parte das vezes, isso faz parte de ter um corpo pequeno, vias aéreas estreitas e um sistema respiratório ainda em amadurecimento. Respiração periódica, ronco leve, soluços e grunhidos breves ao dormir costumam ser normais.

Mas chiado persistente, estridor, tosse que não melhora, tosse de cachorro e grunhidos a cada respiração não devem ser ignorados. Você conhece os sons habituais do seu bebê melhor do que ninguém. Se algo parece diferente, mais intenso ou mais difícil, procure orientação. Isso não é pânico. É cuidado.


Este conteúdo é apenas para fins informativos e não deve ser usado como substituto do conselho do seu médico, pediatra ou outro profissional de saúde. Se você tiver dúvidas ou preocupações, consulte um profissional de saúde.
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