A chupeta pode parecer um objeto pequeno, mas raramente passa despercebida nas conversas entre pais. Há quem diga que foi a salvação das sestas e das noites mal dormidas. Outros receiam que prejudique a amamentação. E não faltam avisos de família sobre os dentes, enquanto, na maternidade, pode ser sugerida para acalmar o bebé durante uma picada no pezinho.
Afinal, o bebé precisa de chupeta? Não necessariamente. Muitos bebés nunca a aceitam e crescem perfeitamente bem sem ela. Ainda assim, para várias famílias, pode ser um recurso seguro e útil, desde que usado com bom senso. O importante é conhecer os benefícios da chupeta e os seus possíveis inconvenientes para decidir o que faz sentido para cada bebé.
Os bebés nascem com uma forte necessidade de sucção. Por vezes têm fome, claro. Noutras situações, procuram apenas conforto. É a chamada sucção não nutritiva, ou seja, sugar sem o objetivo de receber leite.
A chupeta pode responder a essa necessidade sem substituir uma mamada de que o bebé realmente precisa. Pode ajudar a acalmar, a adormecer e a lidar melhor com alguns procedimentos dolorosos. As recomendações de pediatria e de saúde infantil, incluindo orientações seguidas no Serviço Nacional de Saúde, apontam para a possibilidade de oferecer chupeta durante as sestas e o sono noturno depois de a amamentação estar bem estabelecida, por estar associada a menor risco de síndrome de morte súbita do lactente.
Isto não significa que a chupeta previne morte súbita por si só. É apenas uma das medidas de sono seguro. O bebé deve dormir de barriga para cima, num colchão firme e plano, sem almofadas, mantas soltas, peluches ou outros objetos no berço.
A associação entre chupeta e síndrome de morte súbita do lactente é um dos benefícios mais conhecidos. A recomendação habitual é oferecê-la quando o bebé é deitado para a sesta ou para dormir à noite. Alguns estudos identificaram uma relação entre o uso de chupeta durante o sono e uma menor incidência de morte súbita.
Ainda não se sabe ao certo porquê. A sucção poderá favorecer um sono menos profundo ou contribuir para manter as vias respiratórias numa posição mais favorável. Na prática, as orientações são simples:
A chupeta nunca substitui as restantes regras de sono seguro. Não deve ser usada com fios, fitas, correntes, peluches, mantas ou qualquer outro acessório dentro do berço.
Em alguns bebés, a vontade de sugar é muito intensa. Podem ter mamado bem, estar com a fralda limpa e, ainda assim, procurar o peito, levar as mãos à boca ou mostrar-se inquietos. Isto nem sempre quer dizer que precisam de mais leite.
Nestas situações, uma chupeta para acalmar bebé pode ser uma ajuda. Pode trazer conforto entre mamadas, no carrinho, na cadeira auto ou naquele final de tarde mais difícil, em que parece que nada resulta. Muitos pais perguntam se existe chupeta para cólicas. Não cura as cólicas, mas a sucção pode acalmar alguns bebés durante episódios de choro.
Pense nela como mais uma ferramenta. Colo, embalo, contacto pele com pele, passeio ao ar livre, contenção adequada à idade e alimentação sempre que há sinais de fome continuam a ter um papel importante.
A chupeta também pode ajudar a reduzir o desconforto em procedimentos breves, como a colheita de sangue, o teste do pezinho ou a vacinação. A sucção não nutritiva pode diminuir os sinais de stress e ajudar o bebé a recompor-se mais depressa.
Em ambiente clínico, pode ser combinada com outras medidas de conforto, como amamentação, colo pele com pele ou, quando indicado pelo profissional de saúde, pequenas quantidades de sacarose oral. Em casa, nunca molhe a chupeta em açúcar, xaropes, mel ou compotas. O mel não deve ser dado a bebés com menos de 12 meses, pois pode conter esporos associados ao botulismo infantil.
A pergunta «chupeta faz mal?» não tem uma resposta única. Há riscos a considerar, mas dependem sobretudo do momento em que é introduzida e do tempo de utilização.
Uma das maiores preocupações no início da maternidade é a relação entre chupeta e amamentação. Há bebés que alternam sem dificuldade entre o peito e a chupeta. Outros podem ter mais dificuldade se a chupeta for introduzida antes de a amamentação estar estabilizada.
Nas primeiras semanas, o bebé aprende a pegar na mama, a extrair leite e a comunicar a fome. Ao mesmo tempo, a produção de leite adapta-se à frequência com que a mama é esvaziada. Se a chupeta adiar repetidamente as mamadas, pode haver menos estímulo para a produção de leite, sobretudo numa fase em que o bebé mama muitas vezes ao dia.
Por isso, muitos profissionais de saúde e consultores de amamentação aconselham esperar até que a amamentação esteja estabelecida, geralmente por volta das 4 a 6 semanas. Alguns sinais positivos são:
Se houver dor, dificuldade na pega, pouco aumento de peso ou suspeita de baixa produção de leite, fale com o pediatra, enfermeiro de saúde materna e infantil ou um conselheiro certificado em aleitamento materno antes de oferecer a chupeta. A chamada confusão de bico não acontece em todos os bebés, mas merece atenção quando a amamentação ainda está a ser aprendida.
A chupeta não deve ser usada para prolongar o intervalo entre mamadas, sobretudo num recém-nascido. É comum os bebés mamarem entre 8 e 12 vezes em 24 horas, ou até mais em fases de crescimento.
Observe o bebé, não apenas o relógio. Os sinais iniciais de fome podem incluir mexer-se mais, virar a cabeça à procura do peito, abrir a boca, fazer movimentos de sucção, estalar os lábios ou levar as mãos à boca. O choro costuma ser um sinal mais tardio. Se o bebé procura e faz movimentos de enraizamento, ofereça primeiro a mama ou o biberão, em vez de dar automaticamente a chupeta.
Existe uma associação entre o uso de chupeta e uma maior frequência de otite média, sobretudo depois dos 6 meses. A razão exata não é totalmente clara, mas os movimentos de sucção podem alterar a pressão no ouvido médio e favorecer a acumulação de líquido.
Isto não significa que seja obrigatório retirar a chupeta no dia em que o bebé completa 6 meses. Pode, no entanto, ser uma boa altura para reduzir o uso durante o dia e reservá-la sobretudo para dormir ou para momentos de maior desconforto.
Se a criança tem otites repetidas, vale a pena falar com o pediatra sobre a relação entre chupeta e otite e perceber se diminuir o uso pode ajudar.
A chupeta não costuma provocar problemas dentários durante o primeiro ano de vida. A preocupação aumenta quando o hábito se prolonga pela infância, especialmente depois dos 2 anos. A sucção persistente pode alterar a forma como os dentes encaixam e influenciar o desenvolvimento do palato.
O risco depende da frequência e da duração. Não é o mesmo uma criança usar chupeta apenas para adormecer e outra tê-la na boca grande parte do dia.
Por esse motivo, é aconselhável planear uma redução gradual antes da entrada no pré-escolar.
Não é verdade. A confusão de bico tende a ser mais provável quando a chupeta é introduzida muito cedo, antes de a amamentação estar bem encaminhada, ou quando substitui mamadas necessárias. Quando o aleitamento materno já decorre bem, não há evidência de que a chupeta termine automaticamente a amamentação ou cause problemas em todos os casos.
O momento em que é introduzida faz diferença. Responder aos sinais de fome do bebé também.
Também não. Abandonar a chupeta pode exigir paciência, mas é uma fase passageira. À medida que crescem, as crianças aprendem outras formas de adormecer, de se acalmarem e de lidarem com frustrações. Para muitas famílias, começar a reduzir entre os 6 e os 12 meses torna a transição mais simples.
Não. A chupeta é uma ferramenta, não um retrato da forma como alguém cuida do filho. É possível dar colo, amamentar, responder com carinho e usar chupeta em determinados momentos. Uma coisa não exclui a outra.
Cuidar de um recém-nascido é exigente. Se uma chupeta limpa e usada em segurança ajuda numa viagem de carro mais difícil ou facilita uma sesta, isso não é falhar. É encontrar uma solução possível para aquele momento.
Se decidir utilizá-la, estas regras para uso de chupeta ajudam a reduzir riscos sem perder as suas vantagens.
Em bebés amamentados, é preferível esperar até que a amamentação esteja estabelecida, normalmente entre as 4 e as 6 semanas. Em bebés alimentados com fórmula, a chupeta pode ser usada mais cedo, mas os sinais de fome devem continuar a ser prioridade.
Se se pergunta quando dar chupeta ao bebé, uma opção é oferecê-la nas sestas e ao deitar, desde que ele a aceite. Depois de adormecer, não é necessário colocá-la novamente se cair.
Siga estes cuidados básicos:
Não existe uma data perfeita para abandonar a chupeta. Ainda assim, uma meta prática é começar a reduzir o uso entre os 6 e os 12 meses, altura em que muitos bebés já conseguem aprender outras formas de se acalmar.
Comece por guardá-la para as sestas e para a noite. Mais tarde, introduza outros rituais de conforto, como uma canção, festinhas nas costas, colo ou um livro antes de dormir.
Se está a pensar em quando tirar chupeta, o ideal é que a criança deixe o hábito até aos 2 anos. Assim, reduz-se a probabilidade de alterações dentárias e, em geral, o processo é mais fácil. Uma retirada gradual costuma resultar melhor do que transformar o tema numa luta diária.
A chupeta não é má por definição, nem resolve tudo. Usada na altura certa, com higiene, segurança e um plano para ser deixada progressivamente, pode ser uma pequena ajuda nos primeiros meses do bebé.