Refluxo em bebês: o que é, sinais de DRGE, refluxo silencioso e como ajudar

Refluxo em bebês: quando é normal, sinais e tratamentos

Um bebê que coloca leite para fora depois de quase todas as mamadas pode deixar qualquer família preocupada. A boa notícia é que o refluxo em bebês é muito frequente, sobretudo nos primeiros meses de vida, e tende a melhorar sozinho à medida que o sistema digestivo amadurece. Estima-se que mais da metade dos bebês com menos de 3 meses apresente algum grau de regurgitação.

Ainda assim, há diferença entre algumas golfadas no paninho e uma situação em que mamar se torna doloroso ou difícil. Entender os sinais ajuda a distinguir o bebê que regurgita, mas está bem, de um possível quadro de refluxo que exige avaliação profissional.

O que é refluxo infantil?

O refluxo infantil acontece quando parte do conteúdo do estômago volta para o esôfago, o canal que leva o alimento da boca até o estômago. O leite pode chegar à boca e sair em pequena quantidade, geralmente junto com um arroto, ou ser engolido novamente sem que ninguém perceba.

Isso é comum porque a válvula entre o esôfago e o estômago ainda está em desenvolvimento. Some-se a isso o fato de que o bebê passa boa parte do dia deitado e recebe uma alimentação exclusivamente líquida. São condições que facilitam o retorno do leite.

É comum perceber que o bebê regurgita depois de mamar, ao arrotar, durante o tempo de barriga para baixo ou após ser colocado na cadeirinha do carro. Embora a mancha pareça enorme na roupa, o volume costuma ser menor do que aparenta, já que o leite se espalha rapidamente pelo tecido.

Então, regurgitar é normal em recém-nascido? Na maioria dos casos, sim. Pequenas golfadas sem esforço fazem parte da rotina de muitos bebês nos primeiros meses.

Refluxo e DRGE em bebês: qual é a diferença?

As siglas podem parecer parecidas, mas não significam exatamente a mesma coisa.

RGE: o bebê que regurgita, mas está bem

RGE é a abreviação de refluxo gastroesofágico. Significa que o leite retorna, mas o bebê está saudável, cresce adequadamente e não demonstra sofrimento relevante.

Um bebê com refluxo fisiológico bebê pode:

  • Regurgitar com frequência após as mamadas
  • Ficar com leite no queixo, na roupa ou na fraldinha de boca
  • Arrotar alto e trazer uma pequena quantidade de leite
  • Mamar com vontade
  • Dormir de forma razoável entre as mamadas
  • Ganhar peso de maneira constante
  • Permanecer confortável e bem-humorado na maior parte do tempo

É o chamado bebê que “golfa feliz”. A quantidade de roupa para lavar aumenta, mas ele segue se desenvolvendo normalmente.

Nessas situações, o refluxo gastroesofágico em bebês geralmente não requer medicamentos. O amadurecimento do sistema digestivo costuma resolver o problema. Em muitos casos, melhora bem antes de 1 ano e tende a desaparecer até os 12 a 18 meses.

DRGE: quando o refluxo causa prejuízos

DRGE significa doença do refluxo gastroesofágico. É menos comum e ocorre quando o retorno do conteúdo do estômago provoca dor importante, dificuldades para se alimentar, baixo ganho de peso ou outras complicações.

Entre os possíveis sintomas refluxo bebê associados à DRGE estão:

  • Arquear o corpo durante ou depois das mamadas
  • Choro intenso e persistente enquanto mama
  • Largar repetidamente o peito ou a mamadeira
  • Recusar mamadas ou aceitar volumes muito pequenos
  • Ganhar pouco peso ou perder peso
  • Vomitar em grande volume e com frequência, em vez de apenas regurgitar
  • Ficar muito irritado após comer
  • Tosse persistente, chiado, rouquidão ou sintomas respiratórios recorrentes
  • Dificuldade para se acalmar porque as mamadas parecem causar dor

Um sinal isolado não confirma DRGE. Bebês podem arquear as costas por vários motivos, e o choro costuma aumentar naturalmente nos primeiros meses. O que merece atenção é o conjunto dos sinais e sua repetição.

Se quase toda mamada termina em choro, se o bebê parece sofrer após comer ou se o ganho de peso desacelerou, converse com o pediatra, a equipe da Unidade Básica de Saúde ou um profissional especializado em amamentação.

E o chamado refluxo silencioso?

É comum ouvir famílias falarem em “refluxo silencioso”. A expressão costuma descrever um bebê que aparenta desconforto, engole várias vezes, faz movimentos de deglutição, tosse, engasga ou faz caretas, mas não coloca leite para fora de forma visível.

O termo é bastante usado, embora nem sempre corresponda a um diagnóstico preciso. Alguns bebês realmente engolem novamente o leite que voltou. Em outros casos, cólicas, excesso de gases, dificuldade de pega, alergia alimentar ou outro problema podem produzir sinais semelhantes.

Por isso, refluxo silencioso não deve significar automaticamente o uso de remédios para refluxo em bebês. O profissional de saúde avaliará o quadro completo: mamadas, ganho de peso, fezes, sono, respiração e bem-estar do bebê entre uma alimentação e outra. Gravar um vídeo de uma mamada difícil pode ajudar bastante durante a consulta.

Refluxo bebê: quando passa?

Para quem está exausto de trocar roupas e lençóis várias vezes ao dia, esta costuma ser a pergunta mais importante: refluxo bebê quando passa?

Existe um padrão bastante frequente:

  • O refluxo em recém-nascidos pode começar nas primeiras semanas de vida.
  • Os episódios costumam ficar mais evidentes entre 2 e 4 meses.
  • O pico geralmente acontece por volta dos 4 meses.
  • Muitos bebês apresentam melhora importante entre 6 e 7 meses, especialmente quando passam a ficar mais sentados e iniciam a introdução alimentar.
  • Quase todos melhoram bastante até os 12 a 18 meses.

Pode parecer que não terá fim quando o bebê suja três trocas de roupa antes do almoço. Mas, na maior parte das vezes, o refluxo é uma fase do desenvolvimento, não uma condição permanente.

Alguns bebês melhoram de uma hora para outra. Outros vão diminuindo as golfadas aos poucos, semana após semana. Ambas as evoluções podem ser normais, desde que a criança esteja mamando, crescendo e parecendo bem no dia a dia.

Como tratar refluxo em bebê em casa

Nos casos de refluxo sem sinais de doença, ajustes simples costumam ajudar mais do que intervenções complexas. O objetivo não é eliminar cada golfada, pois isso raramente é possível. A ideia é deixar as mamadas mais confortáveis e reduzir a quantidade de leite que retorna.

Mantenha o bebê na posição vertical depois de mamar

Depois da mamada, mantenha o bebê apoiado na posição vertical, junto ao peito de um adulto, por cerca de 20 a 30 minutos. Um colo tranquilo costuma funcionar muito bem.

Evite roupas apertadas na barriga, brincadeiras agitadas e colocar o bebê imediatamente em uma posição muito curvada, pois isso pode aumentar a pressão sobre o estômago.

O carregador de bebê pode ser útil para algumas famílias, desde que seja usado corretamente: rosto sempre visível, queixo afastado do peito e vias aéreas livres.

Na hora de dormir, porém, siga as recomendações de sono seguro do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria: o bebê deve ficar de barriga para cima, em superfície firme, plana e sem objetos soltos. Não use travesseiros, almofadas, calços, posicionadores ou produtos inclinados.

Ainda se encontra a recomendação de elevar a cabeceira do berço colocando uma toalha sob o colchão. Essa prática não é indicada. O bebê pode escorregar para uma posição insegura, e a inclinação não melhora o refluxo de forma confiável. Mesmo para quem regurgita, dormir de barriga para cima em um colchão plano continua sendo a posição mais segura.

Ofereça mamadas menores e mais frequentes

Um estômago muito cheio tem mais chance de devolver leite. Se o bebê costuma colocar grandes quantidades para fora, converse com o pediatra ou com o profissional que acompanha a alimentação sobre a possibilidade de ajustar o volume e a frequência das mamadas.

Para quem usa mamadeira, vale conferir se a quantidade oferecida e o ritmo da mamada são adequados. É fácil insistir para que o bebê termine a mamadeira, mesmo quando ele já demonstra saciedade, virando o rosto, diminuindo a sucção, relaxando as mãos ou empurrando o bico.

Bebês em aleitamento materno também podem se incomodar com uma descida de leite muito intensa. Se houver fluxo forte, amamentar em uma posição mais reclinada ou retirar um pouco de leite antes da pega pode ajudar. Uma consultora de amamentação pode orientar de acordo com cada caso.

Faça o bebê arrotar, sem exageros

Tente oferecer uma pausa para arrotar no meio da mamada e novamente ao final, principalmente se o bebê mama depressa ou engole muito ar. Alguns arrotam em poucos segundos, outros precisam de alguns minutos.

Não é necessário bater nas costas com força. Um carinho ou leves tapinhas, com o bebê em posição vertical, costumam ser suficientes. E se o arroto não vier, tudo bem. Nem todo bebê arrota após todas as mamadas.

Use a mamadeira em ritmo controlado

A mamada pausada, também chamada de alimentação responsiva com mamadeira, pode ser uma ferramenta útil no tratamento refluxo gastroesofágico bebê para crianças que não mamam exclusivamente no peito.

Segure a mamadeira de forma mais horizontal, evitando que o leite desça rápido demais pelo bico. Faça pausas ao longo da mamada e deixe o bebê conduzir o ritmo.

Essa prática pode reduzir a ingestão de ar e evitar que ele tome mais leite do que precisa. Mamadas mais calmas e sem pressão costumam ser mais confortáveis.

Só engrosse o leite com orientação profissional

Fórmulas espessadas podem diminuir a regurgitação visível em alguns bebês, mas não são adequadas para todos. Nunca acrescente cereal, amido, espessante ou outros ingredientes à mamadeira por conta própria.

O espessamento pode alterar o funcionamento do intestino, a ingestão de líquidos, o fluxo do bico e até a absorção de medicamentos. Se o pediatra recomendar essa medida, ele poderá indicar o produto e o modo correto de preparo.

Avalie as fórmulas com cautela

Se o bebê usa fórmula e o refluxo está muito incômodo, evite trocar de marca a cada poucos dias. Isso torna difícil entender o que funcionou e pode causar mais alterações intestinais.

Dependendo do caso, o pediatra pode propor uma fórmula antirrefluxo ou, se houver suspeita de alergia, uma fórmula extensamente hidrolisada. Fórmulas chamadas de “conforto” não são o mesmo que fórmulas hipoalergênicas e podem não ajudar quando há alergia à proteína do leite de vaca.

Pode ser alergia à proteína do leite de vaca?

Parte dos bebês que aparentam ter refluxo pode, na verdade, apresentar alergia à proteína do leite de vaca, conhecida como APLV. Os sintomas se sobrepõem bastante, por isso a avaliação deve ser individual.

Além do refluxo, a APLV pode trazer outros indícios, como:

  • Eczema, dermatite ou manchas persistentes na pele
  • Sangue ou muco nas fezes
  • Diarreia prolongada ou constipação importante
  • Choro intenso semelhante a cólicas
  • Vômitos persistentes ou fortes
  • Histórico familiar de alergias, asma, rinite ou dermatite atópica

Se o bebê mama no peito, o pediatra pode recomendar a retirada de leite e derivados da alimentação materna por 2 a 4 semanas, com acompanhamento. É importante receber orientação nutricional para garantir fontes adequadas de cálcio, vitamina D e outros nutrientes.

Quando o bebê usa fórmula, a conduta mais comum, se a alergia for suspeita, é testar uma fórmula extensamente hidrolisada. Fórmula sem lactose ou leite de cabra não resolvem a APLV. O problema é a proteína do leite, não a lactose, e muitas crianças que reagem ao leite de vaca também reagem às proteínas do leite de cabra ou de ovelha.

Quando são usados remédios para refluxo em bebês?

Medicamentos podem ser necessários em situações específicas, mas não são a primeira escolha para a maioria dos bebês que regurgita.

Se ajustes nas mamadas e nos cuidados posturais não ajudam, e a criança apresenta sinais compatíveis com DRGE, como baixo ganho de peso, recusa alimentar, inflamação no esôfago ou sofrimento intenso, o médico pode considerar tratamento. Isso pode incluir antiácidos ou medicamentos que reduzem a acidez gástrica, como os inibidores da bomba de prótons.

Esses remédios têm indicação em casos selecionados. Porém, não costumam melhorar de forma consistente o choro habitual, a irritação ou as golfadas visíveis em bebês sem doença relacionada ao ácido. O uso sem necessidade também pode aumentar o risco de algumas infecções.

Por isso, os remédios para refluxo em bebês devem ser usados apenas com prescrição e acompanhamento, quando há uma razão clínica clara, e não apenas porque o bebê coloca leite para fora.

Caso o medicamento seja iniciado, pergunte ao médico:

  • Qual sintoma estamos tentando tratar?
  • Por quanto tempo o remédio deverá ser usado?
  • Como saberemos se ele está funcionando?
  • Quando o tratamento deverá ser reavaliado ou suspenso?

Quando procurar atendimento médico com urgência

A maior parte dos casos de refluxo melhora com medidas simples e acompanhamento pediátrico. Alguns sinais, no entanto, precisam de avaliação rápida porque podem indicar algo além do refluxo habitual.

Procure atendimento médico urgente, uma UPA ou pronto-socorro, ou acione o SAMU pelo 192 se o bebê apresentar:

  • Vômito verde, amarelo-esverdeado ou com sangue
  • Sangue nas fezes
  • Vômito em jato, principalmente em bebês pequenos
  • Barriga muito inchada, endurecida ou dolorosa
  • Febre em bebê com menos de 3 meses
  • Sinais de desidratação, como poucas fraldas molhadas, boca seca ou sonolência fora do habitual
  • Dificuldade para respirar, lábios arroxeados, engasgos frequentes ou pausas na respiração
  • Vômitos fortes e repetidos associados a pouco ganho de peso
  • Moleza extrema ou dificuldade para acordar

Confie também na sua percepção. Você conhece o comportamento habitual do seu bebê. Se algo parecer diferente ou preocupante, vale buscar ajuda.

A mensagem mais importante

O refluxo em bebês pode ser cansativo, bagunçado e frustrante, especialmente em noites mal dormidas. Mesmo assim, na maioria das vezes, é uma etapa normal do desenvolvimento. Um bebê que regurgita, mama bem, ganha peso e permanece confortável não precisa de intervenções agressivas.

Mantenha as mamadas tranquilas, deixe o bebê ereto no colo enquanto está acordado após comer, use a mamadeira em ritmo controlado quando necessário e preserve o sono seguro, com berço plano e livre de objetos. Se houver dor, recusa alimentar, dificuldade para ganhar peso, sintomas respiratórios ou suspeita de alergia, procure acompanhamento profissional.

Para a maioria das famílias, a resposta para “quando o refluxo passa?” é reconfortante: ele melhora conforme o bebê cresce. E, muitas vezes antes do que parece durante uma madrugada difícil, as fraldinhas de boca deixam de ser o item mais usado da casa.


Este conteúdo é apenas para fins informativos e não deve ser usado como substituto do conselho do seu médico, pediatra ou outro profissional de saúde. Se você tiver dúvidas ou preocupações, consulte um profissional de saúde.
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